O “Fiat” de Maria

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Maria pronunciou esse “fiat” mediante a fé. Foi mediante a fé que ela “se entregou a Deus” sem reservas e “se consagrou totalmente como a escrava do Senhor, na pessoa do seu Filho”. E este Filho – como ensinam os padres de Igreja – concebeu-o na mente antes de o conceber no seio: precisamente mediante a fé! Com justeza portanto, Isabel louva Maria: “feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor”. Essas coisa já se tinham cumprido: Maria de Nazaré apresenta-se no limiar da casa de Isabel e de Zacarias como mãe do Filho de Deus. É essa a descoberta letificante de Isabel: “A mãe do meu Senhor vem ter comigo!”.

Por conseguinte, também a fé de Maria pode ser comparada com a de Abraão, a quem o Apostolo chama “nosso pai na fé” (cf Rm 4,12). Na economia salvífica da Revelação divina, a fé de Abraão constitui o inicio da antiga aliança: a fé de Maria, na Anunciação, da inicio a Nova Aliança. Assim como Abraão, “esperando contra toda a esperança, acreditou que haveria de se tornar pai de muitos povos” (cf. Rm 4,18), também Maria, no momento da Anunciação, depois de ter declarado a sua condição de virgem (“como será isto, se eu não conheço homem?”), acreditou que pelo poder do Altíssimo, por obra do Espirito Santo, se tornaria a mãe do Filho de Deus segundo a revelação do anjo: “Por isso mesmo o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35).

Entretanto, as palavras de Isabel: “feliz daquela que acreditou” não se aplicam apenas aquele momento da Anunciação. Esta representa sem dúvida o momento culminante da fé de Maria na expectação de Cristo, mas também o ponto de partida no qual se inicia todo o seu “itinerário” para Deus toda a sua caminhada de fé. E será ao longo desse caminho que a “obediência” por ela professada à palavra da revelação divina irá ser atuada de modo eminente e verdadeiramente heroico ou, melhor dito, com um heroísmo de fé cada vez maior. E esta “obediência da fé ” da parte de Maria, durante toda a sua caminhada, será surpreendentes analogias com a fé de Abraão. Do mesmo modo que o patriarca do povo de Deus, também Maria, ao longo do caminho do seu fiat filial e materno, “esperando contra toda a esperança, acreditou”. Especialmente ao longo de algumas fazes desde o seu caminhar a benção concedida “àquela que acreditou” tornar-se-á manifesta com particular evidência. Acreditar quer dizer “abandonar-se” à própria verdade da palavra de Deus, sabendo e reconhecendo humildemente “quanto são insondáveis os seus desígnios e imperscrutáveis as sua vias” (Rm 11,33). Maria, que pela eterna vontade do Altíssimo veio a encontrar-se, por assim dizer, no próprio centro daquelas “imperscrutáveis vias” e daqueles “insondáveis desígnios” de Deus, conforma-se a eles na obscuridade da fé, aceitando plenamente e com o coração aberto tudo aquilo que é disposição dos desígnios divinos.

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