É aos pequeninos que o Pai se revela

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O homem novo, renascido e restituído a seu Deus pela graça, diz, antes de mais nada, “Pai” porque se tornou filho. Assim, portanto, pela Oração do Senhor, somos revelados a nós mesmos ao mesmo tempo em que o Pai nos é revelado (Gs 22,1).

Ó homem, não ousavas levantar teu rosto ao céu, baixavas os olhos para a terra, e de repente recebeste a graça de Cristo: todos os teus pecados te foram perdoados. De servo mau te tornaste um bom filho… levanta, pois, os olhos para o Pai que te resgatou por seu Filho e dize: Ele é Pai, de modo especial; para nós é Pai em comum, porque gerou somente a Ele; a nós, ao invés, Ele nos criou. Dize, portanto, também tu, pela graça: “Pai Nosso” a fim de mereceres ser seu filho (Santo Ambrosio, Sacr. 5,19). Este dom gratuito da adoção exige de nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Rezar a nosso Pai deve desenvolver em nós, duas disposições fundamentais:

O desejo e a vontade de assemelhar-se a Ele. Criados à sua imagem, é por graça que a semelhança nos é dada e a ela devemos responder.

Quando chamamos a Deus de “nosso Pai”, precisamos lembrar-nos de que devemos comportar-nos como filhos de Deus (São Cipriano, Dom.orat.11). “Não podeis chamar de vosso Pai ao Deus de toda bondade, se conservais um coração cruel e desumano; pois nesse caso já não tendes mais em vós a marca da bondade do Pai Celeste” (São João Crisostomo, Hom.; Mt 7,14). É preciso contemplar sem cessar a beleza do Pai e com ela impregnar nossa alma (São Gregório de Nissa, Or. Dom. 2).

Um coração humilde e confiante que nos faz “retornar à condição de crianças” (Mt 18,3), porque é aos “pequeninos” que o Pai se revela (Mt 11,25):

“É um olhar sobre Deus tão-somente, um grande fogo de amor. A alma nele se dissolve e se abisma na santa dileção, e se entretém com Deus como com seu próprio Pai, bem familiarmente, com ternura de piedade toda particular. Nosso Pai: este nome suscita em nós, ao mesmo tempo, o amor, a afeição na oração e também a esperança de alcançar o que vamos pedir. Com efeito, o que poderia Ele recusar ao pedido de seus filhos, quando já antes lhes permitiu serem seus filhos.

Pai nosso refere-se a Deus. De nossa parte, este adjetivo não exprime uma posse, mas uma relação inteiramente nova com o nosso Deus.

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