Um abismo grita a outro abismo

28a

 

Depois de colocarmos na presença de Deus, nosso Pai, para adorá-lo, amá-lo e bendizê-lo, o Espírito filial faz subir de nossos corações sete pedidos, sete bênçãos. Os três primeiros nos atraem para a glória do Pai; os quatro últimos, como caminho para Ele, oferecem nossa miséria à sua Graça. “Um abismo grita a outro abismo” (Sl 42,8).

A primeira série de pedidos nos leva em direção a Ele, para Ele: vosso Nome, vosso Reino, vossa Vontade! É próprio de o amor pensar primeiro naquele que amamos. Em cada um destes três pedidos não nos mencionamos, mas o que se apodera de nós é “a angustia” até, do Filho bem-amado para a Glória de seu Pai (Lc 22, 15). “(Seja santificado… Venha… Seja feita…)”: essas três súplicas já foram atendidas pelo Sacrifício do Cristo Salvador, mas se elevam doravante, na esperança para seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos (1 Cor. 15,28).

A segunda série de pedidos desenrola-se no ritmo de certas Epicleses eucarísticas: é apresentação de nossas expectativas e atrai o olhar do Pai das misericórdias. Sobe de nós e nos diz respeito desde agora, neste mundo: “Daí-nos… perdoai-nos… não deixeis… livrai-nos”. O quarto e quinto pedido referem-se à nossa vida, como tal, seja para alimentá-la, seja para curá-la do pecado; os dois últimos referem-se ao nosso combate pela vitória da Vida, o combate da própria oração.

Mediante os três primeiros pedidos, somos confirmados na fé, repletos de esperança e abrasados pela caridade. Criaturas e ainda pecadores, devemos pedir por nós, estendendo este “nós” até as dimensões do mundo e da história que oferecemos ao amor sem medida de nosso Deus. Porque é pelo Nome de seu Cristo e pelo Reino de seu Espírito Santo que nosso Pai realiza seu plano de salvação, por nós e pelo mundo inteiro. Deus revela seu Nome, mas revela-o realizando a sua obra. Ora, esta obra só se realiza para nós e em nós se seu nome for santificado por nós e em nós.

A santidade de Deus é o centro inacessível de seu mistério eterno. Ao que, deste mistério, está manifestando na criação e na história, a Escritura chama de Glória, a irradiação de sua Majestade. Ao criar o homem “á sua imagem e semelhança”(Gn 1,26), Deus “o coroa de gloria”, mas, pecando, o homem é “privado da glória de Deus” (Sl8,6).

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