Não nos deixe enveredar pelo caminho

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Não nos dexeis cair em tentação, este pedido atinge a raiz do precedente, pois nossos pecados são frutos do consentimento na tentação. Pedimos ao nosso Pai que não nos “deixe cair” nela. É difícil traduzir, com uma palavra só, que significa “permitas entrar em” (Mt 26,41), “não nos deixeis sucumbir à tentação”. “Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tg 1,13); Ele quer, ao contrário, dela nos livrar. Nós lhe pedimos que não nos deixe enveredar pelo caminho que conduz ao pecado. Estamos empenhados no combate “entre a carne e o Espírito” Este pedido implora o Espírito de discernimento e de fortaleza.

O Espírito Santo nos faz discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista de uma virtude comprovada, e a tentação, que leva ao pecado e a morte (Tg 1, 14-15). Devemos também discernir entre ser tentado e consentir na tentação. Por fim, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, seu objeto é “bom, sedutor para a vista, agradável” (Gn 3,6), ao passo que na realidade, seu fruto é a morte.

       Deus não quer impor o bem, ele quer seres livres. Para alguma coisa a tentação serve. Todos, com exceção de Deus, ignoram o que nossa alma recebeu de Deus, até nós mesmos. Mas a tentação o manifesta, para nos ensinar a conhecer-nos e, com isso, descobrir-nos nossa miséria e nos obriga a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou (Mt 4,1-11).

Não cair em tentação envolve uma decisão do coração; “Onde está o teu tesouro, aí estará também teu coração. Ninguém pode servir a dois Senhores” (Mt 6,21-24). “Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos também nossa conduta” (Gl 5,25). Neste “consentimento” dado ao Espírito Santo, o Pai nos dá força. “As tentações que vos acometeram tiveram medida humana. Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima de vossas forças. Mas, com a tentação, Ele vos dará os meios de sair dela e a força para suportar” (1 Cor 10,13).

Ora, tal combate e tal vitória não são possíveis senão na oração. Foi por sua oração que Jesus venceu o Tentador, desde o começo (Mt 4,1-11), e no último combate de sua agonia (Mt 26,36). É a seu combate e à sua agonia que Cristo nos une neste pedido a nosso Pai. A vigilância do coração é lembrada com insistência em comunhão com a de Cristo.

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